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Joerly
Joerly
Precisamos falar sobre orçamentos (ll)

Outro método já bastante comum para precificação do vidro é o do metro quadrado por peça pronta.

Do ponto de vista burocrático, é uma ótima decisão que acelera o processo de orçamento tendo no preço pré-definido um seguro contra riscos presumíveis ou até imprevisíveis (leia a parte I deste artigo). E quem adota o método também encontra no Corte Certo uma ferramenta que facilita ainda mais o cálculo dos preços, como mostra a imagem.

Acontece que no competitivo mundo dos negócios, nem tudo é burocracia.

E, vamos admitir, no fundo o método é uma tentativa de reinventar a roda, uma prática herdada dos pequenos vidraceiros de bairro. Eles não otimizam nada: chega o morador do outro lado da rua, velho conhecido, trazendo um porta-retratos com a foto da netinha. O vidraceiro corta o pedaço que precisa da sobra ou da chapa de vidro que tiver à mão e cobra por ele um valor que, proporcionalmente, pagará por duas ou mais daquela chapa. Pelo tamanho do vidro comprado e pelo valor emocional contido na foto e na amizade antiga com o vidraceiro, o avô considerará o preço justo. E mesmo que resolvesse comparar preços com os oferecidos por outro vidraceiro do bairro, não encontraria diferenças determinantes.

Mas como funciona isso no mercado, digamos, mais profissional, em que, pelo volume de peças em cada pedido, diferenças de custos podem ser muito mais representativas?

Há muito tempo os grandes compradores deixaram de lado a tarefa de calcular, eles mesmos, quantas chapas precisariam para atender às suas demandas de vidros (assim como também para as de pedras, madeiras, ACM, etc., e ainda os materiais lineares, como tubos, alumínios, barras, etc.), por uma razão muito simples: eles podem repassar esse quebra-cabeças para os fornecedores. Basta chamar mais de um fornecedor para o mesmo pedido e eles que se virem para oferecer o melhor preço.

Já entre distribuidores, o que pode ter sido raciocínio comum, foi o de basear os preços nas possibilidades de cálculo que pode oferecer o software de otimização que vem embarcado na maior parte das mesas de corte internacionais. Ele oferece, afinal, para muitos desses distribuidores, o resultado do que vai ser efetivamente cortado, não importando se a otimização dos planos é boa ou ruim. Acrescente-se a esse resultado médio obtido pedidos anteriores também os riscos de perdas de material (por fatos imprevistos e imprevisíveis) que a experiência histórica trouxe, e chega-se a um número por metro quadrado de cada vidro, ao qual o mercado, como um todo, se acomoda. A diferença a ser oferecida ao comprador é tirada do que cada distribuidor estabelece para si como margem de lucro.

A questão que salta é se essa acomodação vale a pena no final das contas e para quem vale.

Para o comprador: à parte dos reajustes do fabricante, frete, etc., houve vantagens ou, no mínimo, manutenção dos valores que costumava pagar pelo material?

Para o distribuidor: houve aumento de rentabilidade ou, no mínimo, a sua manutenção com menos trabalho?

A julgar por alguns dos grandes clientes da Corte Certo, o antigo sistema de avaliação continua valendo a pena, por retirar dos custos e não dos lucros os descontos a serem oferecidos ao comprador. Mas, sobre isso, trataremos com mais detalhes.

Continua: 2/4

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