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Luis Claudio Viesti
Luis Claudio Viesti
Vidros nas esquadrias – considerações importantes

O vidro é um componente fundamental nas esquadrias. É, portanto, muito importante durante sua instalação respeitar-se regras básicas para o bom funcionamento e uma boa estanqueidade da janela. Existem vários tipos de composição de vidros como por exemplo: vidros monolíticos; vidros laminados; vidros temperados; vidros insulados ou duplos.

 

Os vidros também precisam ser calculados de acordo com o comportamento estrutural das esquadrias e no desempenho térmico e acústico em que a obra necessita. De acordo com as normas ABNT NBR-10821 – Esquadrias Externas para Edificações, e ABNTNBR-7199 – Projeto, Execução e Aplicações de Vidros na Construção Civil.

 

É importante salientar que a norma ABNT NBR-7199 – Projeto, Execução e Aplicações de Vidros na Construção Civil, que está em processo de revisão, deve ser seguida em todo e qualquer procedimento, desde a sua especificação até a instalação.

 

Abaixo estão relacionados alguns itens importantes para que o vidro seja utilizado de forma a proporcionar o melhor desempenho, para o qual foi projetado.

 

Instalação dos vidros — Um vidro aplicado em uma folha de abrir (porta ou janela) deve ser instalado de maneira a contribuir para manter o esquadro, não podendo ser aplicado como uma simples lâmina apoiada na travessa inferior, sujeitando o canto da folha ao peso próprio do vidro.

 

Para obter uma instalação satisfatória, utilizam-se calços apropriados entre o quadro e a lâmina de vidro, com dureza e forma variadas. Desta maneira evita-se o contato direto entre o alumínio e o vidro, que poderia ocasionar quebras e transmissão de vibrações às lâminas, o que provocaria indesejáveis efeitos acústicos e pontes térmicas, reduzindo a capacidade de isolamento. Mesmo no sentido transversal, o vidro deve ser posicionado de maneira que não haja nenhum contato com as superfícies metálicas que o contém (perfil e baguete) na esquadria. Nos casos em que a calafetação do vidro é efetuada por meio de guarnições, estas devem manter o vidro no centro do canal, isolando-o do alumínio. Quando a calafetação é realizada por mastiques ou massa, torna-se necessário o uso de calços, de modo a posicionar corretamente o vidro e evitar tensões locais no próprio calafetador, o que provocaria trincas e a consequente infiltração de água.

 

O perigo das infiltrações de água é menor quando as guarnições, especialmente a externa, têm boa elasticidade e um desenho adequado para se manter sempre com uma pressão contra o vidro, mesmo sob a ação de vento. Portanto, as bordas das chapas de vidro, em qualquer caso, não devem apresentar defeitos que venham a prejudicar a utilização ou resistência do vidro após a colocação. As massas e gaxetas em geral devem adaptar-se às dilatações, deformações e vibrações causadas por variações de temperatura ou ações mecânicas, mantendo boa aderência ao vidro e caixilho. Antes de sua colocação, deve-se verificar se os rebaixos estão convenientemente preparados.

 

Calços — Os calços têm a função de manter a lâmina de vidro em uma posição adequada em relação à cavidade de alojamento previsto nos perfis folha. Por isso, há elementos de características diferentes em função da posição ou da função a ser desempenhada.

 

Calços de apoio — Têm a função de sustentar o peso do vidro. São colocados entre a extremidade da lâmina de vidro e o fundo do canal do perfil. Os calços de apoio têm dureza compreendida entre 70 e 75 Shore D quando são feitos de material plástico, ou apresentam correspondente dureza quando de outro material. Seu comprimento é utilizado em função do peso do vidro e do tipo de material.

 

Calços de segurança (periféricos) — São utilizados nas posições em que é preciso evitar que o vidro entre em contato com o quadro de alumínio. Devem ser instalados sem pressão, pois caso contrário, podem interferir ou anular a função dos outros calços de apoio e das próprias cunhas. Possuem medidas ligeiramente inferiores à folga, para entrar em função somente quando necessário.

 

Cuidados no recebimento dos vidros — É importante observar alguns procedimentos conforme abaixo

• Sempre verificar se a espessura do vidro

• Verificar se as dimensões (largura e altura) estão dentro dos limites do que foi pedido.

• Não deixar de inspecionar visualmente o vidro, para detectar a presença de defeitos do tipo: bolhas de ar incorporado, riscos devido ao manuseio inadequado, trincas, manchas, incrustações de outros materiais, distorções na visualização de imagens, ondulações, irização (defeito que provoca a decomposição da luz nas cores fundamentais) outros defeitos percebíveis a olho nu, dependendo do tipo de vidro.

 

Armazenagem — O cuidado na armazenagem do vidro também é importante para garantir a integridade física contra quebras e ações do tempo. Embora seja comum a idéia de que o vidro dure eternamente, aspectos como umidade, intercalação e tempo de armazenagem podem interferir na sua durabilidade. Por outro lado, o uso de equipamentos de armazenagem adequados evita a perda decorrente de quebras, trincas, lascas e riscos. Quanto maior o tempo de armazenagem em condições inadequadas (presença de umidade, por exemplo), maior será a intensidade da irisação (reflexos coloridos na superfície), até a completa degradação do vidro, tornando-o inutilizável. A estocagem em condições de temperatura e umidade controladas diminui a ocorrência desse fenômeno.

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  • 21/11/2016 17:06:13
    Vitor Locks Rodrigues

    Bom artigo! Talvez a inserção de imagens que exemplificam as posições sugeridas dos calços enriqueceria ainda mais a matéria. Parabéns!