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Joerly
Joerly
Precisamos falar sobre orçamentos (I)

Imagem arredondamento.jpg

Seria o fim do arredondamento para cima nas medidas das peças de vidro, na hora de fazer o orçamento?


Foi o que se prenunciou quando os primeiros softwares de otimização de planos de cortes para vidros chegaram ao Brasil, em especial com o aparecimento do Corte Certo, que popularizou o sistema através de preços acessíveis até a pequenos vidraceiros. Afinal, a principal justificativa para o método que infla os preços eram as enormes possibilidades de erros de cálculo na otimização dos cortes, coisa que os softwares minimizaram em muito.


Só que, mais de 20 anos depois, o arredondamento continua firme e forte, e o Corte Certo, por exigência do mercado, até dispõe de uma ferramenta para ajudar nesse tipo de cálculo dos preços.


Basicamente, o que se quer saber dos softwares de otimização de planos de corte de vidros é muito simples: quantas chapas serão necessárias para atender a determinado pedido e qual será o percentual de perda do material.


Parece mesmo simples. Só que não.


A começar pelo fato de que esse cálculo deve ter em conta que essas chapas terão de ser efetivamente cortadas e o comprador, certamente, não admitirá erros em seu desfavor, ou seja, a necessidade de mais chapas. E nem tudo um plano de corte pode prever.


O problema é que as chances do aparecimento dessas diferenças não são nada pequenas, tendo em vista não apenas as ameaças dos custos presumíveis, mas também os dos imprevisíveis.


Entre as dos custos presumíveis, quando se trabalha com material tão frágil, estão os de quebra, tanto de peças prontas, como de chapas, e da consequente perda de tempo e de matéria-prima para a sua reposição. Sem falar também nos pequenos erros de cálculo, de definição da lista do pedido ou de configuração do software.


Como precaução a esses custos presumíveis, o mercado parece se satisfazer com as definições de arredondamento.


O que primeiro salta à mente, nesse tipo de cálculo, são os múltiplos de cinco no ajuste das medidas das peças, exclusivamente para a finalidade de estimativa de preços. Mas há variações aí. Alguns só aplicam os múltiplos de cinco para vidros com espessura de até oito milímetros. Mais que isso, já são aplicados os múltiplos de 10. E para aramados, múltiplos de 25.


No Corte Certo os múltiplos de 10 foram abolidos já há algum tempo, por falta de uso. Por enquanto não houve reclamação. Existem ainda os de Tipo 1 e de Tipo 2:


O de Tipo 2 é o mais simples: se a peça mede 1.215 mm, seu valor será calculado como se tivesse 1.250 mm; já no de Tipo 1 o ajuste é forçado para cima mesmo que o número já seja múltiplo de cinco. Nos exemplos, tanto 1.215 mm como 1.250 mm subirão para 1.300 mm”.


Como os riscos do fornecimento de vidros vão ainda além, pelo escorregadio terreno do que não se pode prever há quem adicione ainda uns 3% ao orçamento.


A verdade é que muitos dos conflitos que surgem após o fechamento do contrato de fornecimento têm origem na solicitação do comprador. Não é nada incomum, por exemplo, erros grosseiros de leitura do projeto arquitetônico, em que até uma parede de pastilhas pode ser confundida com um vidro ou quando o tamanho de uma peça é considerado para um tipo de esquadria quando outra é que está especificada.


Você pode, neste momento, estar pensando sobre a tecnologia BIM (Building Information Modeling, livremente traduzido para Modelagem de Informação da Construção), que vem avançando como nunca no mercado da construção civil brasileira. Afinal, essa é uma tecnologia que, associada a ferramentas tridimensionais, como o Revit, o ArchiCad ou o AECOsim, pode representar virtualmente a obra, com documentação limpa, clara e com tal grau de definição da sua construção que se torna impossível imaginar outro resultado final que não o da eficiência.


Que esperança! Já houve casos, como comenta um representante de distribuidora, em que foi pedido um vidro azul quando, na realidade, o azul era apenas reflexo do céu no vidro do edifício modelado. O problema está em ninguém ler o memorial descritivo.


Outras vezes, nem se trata de engano, mas de pura omissão no pedido de parte importante para a estimativa de custos, embora, principalmente nos casos de projeto em BIM, essa parte possa estar já bem detalhada: as etapas de colocação dos vidros. Na hora do orçamento, o pedido vem com todos os vidros necessários à obra – e assim eles são orçados; mas na hora da entrega, pede-se que ela seja feita aos poucos, de acordo com o cronograma de instalação dos vidros.


Isso significa que os vidros não poderão ser cortados juntos, porque as peças que ficariam em estoque, sujeitas a um cronograma de entrega, acarretariam custos de armazenagem e correriam riscos desnecessários de quebra ou riscos. O problema é que a otimização dos cortes para todos os vidros necessários à obra inteira vai, quase sempre, pedir menor número de chapas do que a opção de otimizações parciais, feitas apenas com as quantidades necessárias para atender as datas previstas de entrega.


Uma solução já existente no Corte Certo para minimizar o problema, mas em fase de melhoria, é a ferramenta “Peças Extras”. Através dela é possível, depois de otimizar apenas as peças necessárias para determinada etapa da obra, preencher as sobras das chapas com peças cortadas por antecipação para a etapa seguinte. São as peças extras, em um número bem menor a ser estocado. Elas são distinguidas das demais no plano de corte por um triângulo vermelho e registradas automaticamente em cadastro à parte pelo Corte Certo. Quando chegar o momento de cortar a etapa seguinte, um alerta será aberto para lembrar que já existe determinado número de peças do pedido atual, previamente cortadas em estoque.


**este artigo tem continuação.


legenda da imagem: Cálculo de arredondamento no Corte Certo - o método sobrevive.




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